“Vou votar com o povo”, diz Tiririca sobre reforma da Previdência

De acordo com o jornalista Fábio Góes do site Congresso em Foco , deputado critica exigência de 49 anos de contribuição e fixação de idade mínima para aposentadoria. E admite contrariar, mais uma vez, a orientação partidária. “Vou estragar minha carreira artística de 40 anos por causa disso?”

Em seu sétimo ano de mandato, o primeiro palhaço eleito para a Câmara já tempo de Congresso para se declarar um parlamentar com relativa experiência. Depois de declarar voto a favor do impeachment de Dilma, única vez em que usou o microfone no plenário, Tiririca (PR-SP) se encontra diante de novo desafio: a reforma da Previdência. Mas como vai votar na reforma o dono da terceira maior votação da história da Câmara? “Vai depender do texto que chegar ao plenário. Mas vou votar com o povo”, afirma.

Tiririca diz não concordar com a fixação da idade mínima de 65 anos nem com a exigência de contribuição por 49 anos para a aposentadoria integral. “O cara vai morrer e não vai se aposentar nunca”, critica. Esses são dois dos pontos mais polêmicos da proposta de emenda à Constituição (PEC) enviada pelo governo Michel Temer ao Congresso.

Por causa desses itens controversos, Tiririca admite contrariar a orientação partidária mais uma vez. Em 2011, ano de sua estreia como parlamentar, ele foi repreendido pelo partido por ter votado a favor do salário mínimo de R$ 600, valor acima do defendido pela bancada, que integrava a base de apoio da então presidente Dilma. A legenda, que agora apoia Temer, ainda não anunciou como votará na reforma da Previdência.

Selfies e mensagens para visitantes da Câmara são comuns no cotidiano do parlamentar. Aqui, conterrâneos cearenses festejam o deputado
Foto : Eduardo Sardinha/Congresso em foco

Nascido em uma família circense pobre, Tiririca afirma que não vai trair suas origens. “Vou votar de acordo com a minha consciência. Não sou político, estou político. Vou votar contra o povo? Vou estragar minha carreira artística de 40 anos por causa disso?” , questionou o deputado em conversa com o Congresso em Foco.

Desde que assumiu o mandato, em fevereiro de 2011, Tiririca não faltou a uma única sessão sequer. Registrou presença nas 232 vezes em que sua presença era obrigatória. Mas não fez um discurso sequer. Isso só vai ocorrer, adianta o deputado, no dia em que um de seus projetos de lei for aprovado pela Câmara. A missão não é simples, reconhece.

“No dia em aprovarem algum projeto meu, eu vou subir lá para agradecer todo mundo. Nunca discursei porque não preciso de mídia, nem de fazer média. Para mim, isso aqui é teatro. Está todo mundo representando. Eu não sou de teatro, eu não represento. Sou um cara do circo”, explica.

Circo e educação

Autor de 14 projetos de lei, alguns em parceria com outros deputados, Tiririca diz que já sabe como funciona o troca-troca entre os parlamentares para aprovar suas propostas. Mas que não compactua com a prática. “Um deputado diz para o outro: me ajuda a aprovar o meu projeto que eu ajudo você a aprovar o seu. Eu não faço esse tipo de jogo.”

Projetos de Tiririca são voltados basicamente para a comunidade circense e para a educação. Entre as propostas sugeridas por ele, seis pretendem assegurar direitos aos trabalhadores de circo, onde começou sua carreira artística.

Uma das proposições do palhaço determina o reconhecimento do circo como manifestação cultural para que a categoria possa ser beneficiada com os incentivos fiscais da Lei Rouanet (PL 5095/2013). Ele também propõe a inclusão do trailer e do motor home utilizados por artistas de circo como moradia no programa “Minha Casa, Minha Vida” (PL 5094/2013).

Em outros dois projetos, Tiririca sugere a isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para veículos usados em atividade circense (PL 3544/2012) e mudança na legislação para garantir aos filhos de artistas de circo, na faixa etária de 4 a 17 anos, cuja atividade seja itinerante, vaga nas escolas pública ou particulares (PL 1528/2011).

Conversar com o deputado na Câmara é um exercício de paciência. A todo instante, Tiririca é abordado por colegas, funcionários e, principalmente, visitantes da Casa. Muitos não se contentam em pedir para tirar fotos. Pedem a ele grave alguma mensagem bem-humorada para mostrar para familiares ou amigos. O palhaço diz que esta é sua maior remuneração: o reconhecimento do público. “Tem muita gente metida aqui e entre os artistas, eu sou do povo. Não mudo meu jeito de ser”, frisa.

Eleito com mais de 1,3 milhão de votos em 2010, reeleito com 1 milhão de votos em 2014, Tiririca diz que ainda avalia se vai concorrer a novo mandato em 2018. Se depender da vontade da família, segundo ele, não voltará mais a Brasília, pelo menos não como político. “Sou acostumado com o circo. As coisas são mais organizadas lá. Nos meus três primeiros meses aqui fiquei depressivo com a bagunça que era. Um deputado discursando, os outros nem aí.” Mas a decisão sobre a eventual disputa sobre um novo mandato ele diz que só tomará no próximo ano.

Congresso em foco

 

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