Trio flagrado com ponto eletrônico em concurso é solto sem fiança após 1 dia

PF identificou e prendeu suspeitos durante Operação Gabarito em MS. Alagoanos são suspeitos de tentar fraudar certame com 32 mil inscritos.

Os três alagoanos presos por tentar fraudar o concurso do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) foram soltos pela Justiça um dia depois da prisão, sem pagamento de fiança. Eles foram presos pela Polícia Federal no domingo (26), durante a Operação Gabarito em Campo Grande, e foram soltos por volta das 22h (de MS) de segunda-feira (27).

Além do trio, a PF também identificou um quarto envolvido no esquema, que não compareceu ao local de prova, e apura ainda quem seria a pessoa responsável por fazer as questões do concurso e repassar aos candidatos envolvidos no esquema.

O concurso para cadastro de reserva do TRT da 24ª Região (TRT 24) recebeu 32.517 inscrições, segundo dados da Fundação Carlos Chagas, responsável pela organização do certame. A PF informou que não vê indícios para cancelamento do concurso porque acredita que a operação impediu a fraude.

O G1 entrou em contato com a Fundação Carlos Chagas, mas não teve retorno.

Esquema
Os três presos estavam inscritos no concursos. Um deles presos tinha a função de sair do local de prova com o caderno de questões e repassar ao outro integrante que faria a prova e repassaria as respostas, segundo informações do delegado da PF Fernando Rocha.

Os outros dois presos estavam com ponto eletrônico e receberiam o gabarito. As investigações apontaram que um dos candidatos pagou R$ 6 mil adiantado pelas respostas e o outro pagaria R$ 50 mil caso fosse aprovado.

Em depoimento à PF, os presos confessaram participação na fraude e os que estavam com ponto eletrônico disseram que não passaram por revista com detector de metais antes de entrar na sala de prova.

Conforme o delegado Cléo Mazzotti, o uso de detector de metais na revista dos candidatos poderiam indicar a presença de pontos eletrônicos, por isso, a PF vai orientar à Fundação Carlos Chagas a reforçar os procedimentos de segurança para evitar fraude.

Os criminosos disseram ainda que tentaram fraudar outro concurso público recentemente, mas não receberam as respostas porque o equipamento não funcionou. Eles usariam um dispositivo simulacro de cartão de crédito colocado no bolso da roupa para receber sinal repassado no ponto eletrônico.

Além da identificação do responsável por fazer a prova e repassar as respostas, a PF também apura se há envolvimento de mais pessoas no esquema e suspeita que o “piloto” do tenha usado um telefone celular para fotografar a prova e enviar as questões.

Os presos foram indiciados por fraudar a credibilidade de certames de interesse público, que tem pena de 1 a 4 anos de detenção e por formação de quadrilha, de pena de 1 a 3 anos. Eles podem ser soltos sob pagamento de fiança judicial.

Concurso
Segundo dados da Fundação Carlos Chagas, o concurso é para formação de cadastro de reserva e os salários variam de R$ 6.167,99 a R$ 11.822,80. A menor quantidade de inscritos é para a vaga de biblioteconomia e a maior para técnico judiciário – área administrativa -, com 14.460 candidatos.

g1

28/03/2017

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *