Transexual morta em Florianópolis tinha feito dois B.O.s por homofobia

Relatos de 2013 e 2016 constam agressões e xingamentos.  Jennifer Henrique foi assassinada a pauladas nos Ingleses na sexta (10).

A transexual Jennifer Celia Henrique, 38 anos, assassinada a pauladas sexta (10) em Florianópolis, havia registrado dois boletins de ocorrência por agressões nos últimos anos, segundo a Polícia Civil. No mais recente, feito em 2016, ela chegou a declarar que acreditava que a violência era motivada por homofobia.

De acordo com a Polícia Civil, Jenni, como era conhecida, registrou um boletim em 2013 e outro no ano passado.

Em 2013, quando voltava para casa, ela foi atacada com socos até desmaiar, o que a impediu de ver quem a agredia. Quando acordou, conforme o documento, os agressores haviam fugido.

Já o boletim de 2016 diz que um homem que morava perto da casa dela, nos Ingleses, e frequentava os mesmos lugares que a vítima, passou a xingá-la em público. Em algumas situações, ele tentou impedi-la de entrar em estabelecimentos e chegou a bater nela. Jenni relatou na época que acreditava que a motivação para as agressões era homofobia.

“Eu lembro de ela ter relatado sobre as agressões e o boletim de ocorrência do ano passado, mas ela não se deixava abalar, era uma pessoa muito espontânea, que levava a vida com muita leveza. Ela era a melhor amiga de todo mundo”, disse Joice da Rosa Silveira, amiga de Jenni há 21 anos.

Crime de gênero
Três dias após o assassinato da vítima, o delegado Ênio de Matos, da delegacia de homicídios da Capital, informou não descartar que o caso tenha sido um crime de gênero.

“A Polícia Civil não descarta nada. O crime é muito recente, a partir desta segunda-feira ouviremos parentes e outras pessoas que conviviam com a Jennifer. Ainda não temos um suspeito, mas vamos investigar todos os elementos que forem surgindo nesta etapa”, disse o delegado.

No sábado (11), no entanto, ele afirmou que o crime havia sido motivado por um desentendimento durante um programa sexual. Os amigos de Jenni se revoltaram com a afirmação do delegado.

“Ficamos muito indignados com a colocação do delegado. Jennifer nunca foi prostituta, não sei de onde ele tirou isso”, disse a amiga Joice.

Conforme Joice, Jennifer trabalhava como vendedora de cosméticos, artigos de beleza e perfumaria. “Diante do que ocorreu, a sensação é de impotência, mas a polícia pode ter certeza de que se nada for feito sobre o caso,  a comunidade voltará a se manifestar”, afirmou.
Morte e protesto
Jenni foi morta a pauladas em uma construção nos Ingleses na manhã de sexta-feira (10). O corpo foi enterrado na manhã de sábado (11) no cemitério do bairro Santinho.

Os amigos e parentes estavam assustados e revoltados com o crime e fizeram um protesto na SC-403, no bairro dos Ingleses, próximo ao local do crime. Com cartazes e faixas pedindo justiça, eles fizeram uma caminhada até a delegacia dos Ingleses.

g1

13/03/2017

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *