Testemunha de defesa de PMs diz que vítima morreu por demora de socorro

Testemunha de defesa de PMs diz que vítima morreu por demora de socorro

Uma das 13 testemunhas de defesa que foram ouvidas na tarde desta segunda-feira (27) durante o júri popular da morte de Fernando Henrique da Silva, 23 anos, disse que a vítima poderia ter sobrevivido se o socorro não tivesse demorado tanto a chegar. O testemunho foi dado por um dos policiais militares arrolados como testemunhas de defesa.

Em depoimento, o policial disse ter visto Fernando ainda ofegante quando ele chegou à cena do crime, momentos depois de ter ouvido disparos de armas de fogo. “Não foram os policiais que mataram a vítima. Ela veio a falecer, de hemorragia, por falta de socorro”, disse a testemunha.

Segundo este PM, os policiais que estavam na ocorrência (e que são réus no caso) lhe disseram naquele momento que Fernando caiu do telhado no quintal e disparou em direção a eles, antes de ser baleado e morrer. “Eles disseram que houve confronto e que um policial fez de três a quatro disparos [contra a vítima] e, o outro, entre dois ou três disparos”. A testemunha disse que, ao entrar na cena do crime, viu os policiais bastante abalados, pedindo pela chegada do resgate e que um deles segurava a arma que seria da vítima.

Um outro policial, que também esteve na cena do crime logo após os disparos, disse que, quando os policiais lhe relataram o que houve, não mencionaram que havia um outro policial no telhado. Ele também disse não acreditar que os réus tenham forjado um confronto com a vítima, como alega a acusação.

A única testemunha de acusação ouvida na segunda, o tenente Marco Aurélio Genghini, da Corregedoria da Polícia Militar, disse que houve uma execução e que Fernando foi morto já rendido e sem oferecer resistência aos policiais.

O caso

O caso ocorreu em 7 de setembro de 2015, no Butantã, zona oeste de São Paulo. Fernando estava em uma moto roubada com Paulo Henrique Porto de Oliveira, 18 anos, quando foi surpreendido por policiais na Rodovia Raposo Tavares. Durante a fuga, Fernando abandonou a moto e subiu em um telhado de uma casa no bairro do Butantã, e foi cercado por policiais.

Imagens feitas à distância por celulares mostraram o policial Samuel Paes aproximando-se da vítima ainda no telhado, revistando-a e, aparentemente, jogando Fernando, rendido e desarmado, do telhado em direção ao quintal de uma casa. Depois da queda – cena que não foi registrada pelas imagens – os outros dois policiais, Flávio Lapiana de Lima e Fabio Gambale da Silva, que estavam no quintal aguardando, teriam atirado contra Fernando, que morreu no local.

Os policiais militares Lima e Silva são acusados de homicídio doloso qualificado (por motivo torpe, meio cruel e sem possibilidade de defesa da vítima), fraude processual (por alteração no local do crime) e falsidade ideológica (por terem dado versões falsas sobre o crime durante a investigação). O policial Paes responde por homicídio doloso qualificado (por motivo torpe, meio cruel e sem possibilidade de defesa da vítima).

O cúmplice de Fernando no furto da moto, Paulo Henrique Porto de Oliveira, também foi morto pela polícia. Uma câmera de segurança mostrou Paulo se entregando, levantando a camisa para mostrar que estava desarmado e sendo colocado contra um muro, fora do alcance da câmera, momento em que foi morto pelo polícial militar Tyson Oliveira Bastiane. O vídeo mostra ainda um dos policiais, Silvano Clayton dos Reis, pegando uma arma na viatura para forjar um confronto e justificar a morte do suspeito.

O julgamento dos três policias envolvidos na morte de Paulo terminou no dia 14 de março. Tyson Oliveira Bastiane foi condenado por homicídio e recebeu uma pena de 12 anos, 5 meses e 7 dias de reclusão. Ele continua preso no Presídio Militar Romão Gomes. Silvio André Conceição foi absolvido de todas as acusações e Silvano Clayton dos Reis foi condenado por fraude processual, falsidade ideológica e porte ilegal de arma e sua pena foi estabelecida em 4 anos, 11 meses e 17 dias de reclusão, mas ele pode recorrer em liberdade.

O julgamento

O julgamento teve início por volta das 11h de segunda-feira, com a leitura do processo pelos sete jurados que vão determinar a sentença, todos homens. Em seguida começaram a ser ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa. O júri popular, que ocorre no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital, é acompanhado por muitas pessoas, principalmente policiais militares.

Nesta terça  (28), no mesmo local, devem ocorrer os debates do promotor Rogério Leão Zagallo e dos advogados de defesa, Paulo Cesar Pinto e Nilton de Souza Vivian Nunes, com possibilidade de réplica e tréplica, fase que pode durar até nove horas. Só então os sete jurados, todos eles homens, se reúnem para decidir se condenam ou absolvem os réus. Com infomações da Agência Brasil.

msn

28/03/2017

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