Técnicas de defesa pessoal elevam a autoestima e aumentam a segurança

Conhecimentos disseminados através da Escola Penitenciária qualificam agentes penitenciárias e policiais civis; aprendizado pode ser utilizado em situações de risco

Ressocialização potencializa ações de autodefesa para agressões contra as mulheres. Mayara Wasty

A violência contra mulher ainda é uma triste realidade e discutir sobre o assunto, muitas vezes ainda pode ser tabu.  Entretanto, apenas com debates e o desenvolvimento de políticas públicas, será possível mudar essa situação. No Brasil, a Lei Maria da Penha é a principal legislação em favor das mulheres vítimas de violência. Em Alagoas, o Governo do Estado tem investido nas políticas de empoderamento feminino, disseminando informações sobre o assunto e desenvolvendo ações pontuais.

Como parte deste trabalho, a Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), através da Escola Penitenciária, ofertou para as servidoras da segurança pública do Estado, o curso de Defesa Pessoal para Mulheres. Durante as atividades, agentes penitenciárias e policiais civis aprimoraram técnicas de defesa pessoal específicas para o gênero, aplicáveis em possíveis casos de agressões físicas, relacionados à sua rotina profissional e também pessoal.

Maria da Glória Ferreira é agente penitenciária e trabalha na Casa de Custódia da Capital. Esta não é a primeira vez que a servidora participa deste tipo de capacitação. Para ela, a principal motivação é a segurança. “Eu trabalho no presídio e é muito importante eu saber me defender, além disso, vale para minha vida pessoal. São técnicas fáceis de ser assimiladas e quanto mais a gente treina, mas a gente está apta a se defender”, apontou a agente.

Para a servidora, defesa pessoal é saber usar o próprio corpo para escapar de situações de violência. “Com essas técnicas eu vou saber reagir, caso necessário, sem machucar ninguém, sem precisar estar armada”, completou.

Assim como diversas mulheres, a agente penitenciária passou, em algum momento da vida, por situação de risco. Em 2016, um estudo coordenado pela Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres, do Ministério da Justiça e Cidadania, constatou que das nove capitais pesquisadas no Nordeste, Salvador, Natal e Fortaleza são as cidades com maiores índices de violência física.

“O curso de defesa pessoal tem um fator muito importante a meu ver: ele aumenta nossa autoestima, a gente consegue se sentir mais segura no dia a dia, nas situações mais rotineiras como pegar ônibus”, destacou a Ferreira.

Para o instrutor da Escola Penitenciária, Roberto Alves Cavalcante, a dedicação apresentada pelas alunas foi fundamental para a apreciação das técnicas ensinadas. Ainda segundo o instrutor, o conhecimento adquirido poderá ser útil tanto em situações pessoais, como no ambiente de trabalho, caso necessário.

“É imprescindível o conhecimento de técnicas de defesa pessoal por parte das agentes, para que elas possam, primeiramente, utilizar tais técnicas em sua própria defesa, bem como dominar o adversário, usando, para tanto, a força mínima e instrumentos que tenham menor probabilidade de lesionar gravemente ou até mesmo causar a morte do indivíduo”, ressaltou.

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A Central de Atendimento à Mulher é um serviço gratuito, onde a confidencialidade é garantida, e recebe denúncias de violência, além de orientar as vítimas sobre seus direitos e legislação vigente.

Além da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), a Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104), sancionada em 2015, caracterizou a morte de mulheres como crime hediondo, diminuindo a tolerância nesses casos.

Porém, algumas pessoas não sabem que violência contra mulher vai além da agressão física ou do estupro. A Lei Maria da Penha classifica os tipos de abuso contra a mulher em diferentes categorias de violência: patrimonial, sexual, física, moral e psicológica.

Humilhar, xingar e diminuir a autoestima; tirar a liberdade de crença; controlar e oprimir; expor a vida íntima; atirar objetos, sacudir e apertar os braços; forçar atos sexuais desconfortáveis; impedir a mulher de prevenir a gravidez ou obrigá-la a abortar; controlar o dinheiro ou reter documentos e quebrar objetos da mulher são violências tipificadas na Lei Maria da Penha.

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