Rússia rejeita projeto de resolução da ONU que condena ataque químico na Síria

Moscou considera inaceitável texto de EUA, França e Reino Unido. Hollande defende sanções contra Damasco

Aliada do regime de Bashar al-Assad, a Rússia rejeitou o texto apresentado por Estados Unidos, França e Reino Unido condenando o ataque químico na Síria, indicou nesta quarta-feira a porta-voz do ministério das Relações Exteriores russo. A declaração veio pouco antes de o Conselho de Segurança da ONU começar uma reunião de emergência sobre o ataque na cidade rebelde síria de Khan Sheikhun, que deixou 72 pessoas mortas — incluindo 20 crianças — e provocou uma onda de condenações em todo o mundo. O presidente francês, François Hollande, defendeu a imposição de sanções contra Damasco.

“O texto apresentado é categoricamente inaceitável. Seu defeito é antecipar os resultados da investigação e assinalar culpados”, afirmou a porta-voz russa Maria Zajarova em entrevista coletiva, na qual denunciou que se engendra um “projeto contra a Síria”, o que poderá agravar ainda mais a situação.

Apesar do aumento das tensões na esteira do ataque químico, aviões de guerra retomaram os bombardeios nesta quarta-feira em Khan Sheikhun. Os rebeldes e o regime de Bashar al-Assad se acusam mutuamente pela ação.

Mais cedo, o ministério da Defesa russo culpou os combatentes da oposição pelo ataque, alegando que jatos sírios realizaram bombardeios legítimos contra “armazéns terroristas que continham substâncias tóxicas”.

“Segundo os dados objetivos do controle russo do espaço aéreo, a aviação síria bombardeou um grande armazém terrorista perto de Khan Sheikhun”, afirmou o ministério em comunicado, sem explicar se o ataque foi deliberado. “Era um armazém de produção de bombas, com substâncias tóxicas”.

Hasan Haj Ali, comandante do grupo rebelde Exército Livre de Idlib, classificou a declaração russa de mentirosa.

— Todo mundo viu o avião enquanto bombardeava com gás — disse ele à agência Reuters. — Da mesma forma, todos os civis na área sabem que não há posições militares no local, ou lugares para a fabricação (de armas). As várias facções da oposição não são capazes de produzir essas substâncias.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), um grupo de monitoramento com sede no Reino Unido, disse que pelo menos 72 pessoas foram mortas no que foi chamado de “terça-feira negra” na província de Idlib.

Segundo a organização, 20 crianças e 17 mulheres estavam entre os civis mortos em Khan Sheikhun por “gases que causavam asfixia” e outros sintomas. Médicos na localidade sugeriram que pode ter sido usado o gás sarin.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), algumas vítimas do ataque químico apresentam sintomas de quem foi exposto a agentes neurotóxicos.

“Alguns casos parecem mostrar sinais consistentes à exposição de a produtos organofosforados (grupo de químicos usados como pesticidas artificiais), uma categoria que inclui agentes neurotóxicos”, disse a OMS em nota.

Já os EUA dizem que as mortes foram provocadas por gás sarin lançado de aeronaves sírias. O sarin é um composto organofosforado e agente neurotóxico — ao contrário do gás cloro e do agente mostarda, que, acredita-se, foram usados em ataques passados na Síria.

o globo
05/04/2017

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