Quatro parceiros a menos e protestos: Boa sofre após anunciar goleiro Bruno

Jogador foi condenado em 2013 a 22 anos e três meses de prisão pela morte de Eliza Samudio. Enquanto aguarda julgamento, atuará pelo mineiro Boa Esporte

A contratação do goleiro Bruno, apresentado na terça-feira pelo Boa Esporte, tem dado prejuízos ao clube de Varginha-MG. Até agora, um patrocinador e mais três empresas que apoiavam o clube anunciaram o fim das parcerias. Além disso, tem chovido crítica nas redes sociais da equipe mineira. Na terça à noite, ainda houve protesto de um grupo de mulheres na cidade.

Quem não esperava essa chuva de problemas é Rildo Moraes, um dos diretores do Boa. Ele admitiu estar surpreso com a repercussão negativa e a saída de patrocinadores, mas não cogitou desistir do negócio.

– Não esperava reação negativa. Estamos fazendo um processo de reintegração de uma pessoa à sociedade – afirmou o diretor.

O Grupo Gois & Silva, que estampava sua marca no principal espaço do uniforme do Boa Esporte, anunciou nesta segunda-feira que rompeu o contrato. A parceira pediu a retirada de suas marcas (Grupo Gois e Silva, Dengue Control e Fazenda Ouro Velho) das camisetas, redes sociais e todos os demais canais de comunicação do Boa Esporte.

Outro grave problema para o clube mineiro será com o fornecimento de material esportivo. A Kanxa, que fazia este serviço em troca de divulgação, também anunciou que não seguirá com o Boa após a contratação de Bruno. Apesar de a empresa não pagar para estampar sua marca no uniforme, agora o clube terá de arrumar outra fornecedora ou comprar o material.

O prejuízo do Boa Esporte, porém, não parou por aí, financeira e logisticamente. A Nutrend Nutrition, empresa que fornecia suplementos nutricionais, decidiu romper seu contrato com a equipe. Agora, essa será mais uma preocupação dos dirigentes do Boa na rotina dos atletas.

A Magsul, clínica especializada em ressonâncias magnéticas, também encerrou a parceria com o Boa Esporte. A Cardiocenter Varginha, que prestava serviços de avaliações médicas ao clube, disse ter pedido para que sua marca fosse removida do site oficial do time mineiro.

– Não temos posição sobre patrocinadores no momento para falar à imprensa. Não posso falar, porque, até esse momento, só falamos com o Grupo Gois & Silva. Com os demais, não conversamos. Eles anunciaram, mas temos contrato. O contrato deve ser cumprido. Primeiramente, vamos rever caso a caso – destacou Rildo.

Virtualmente, o Boa soma mais problemas. Diversos internautas têm frequentado as redes sociais do clube de Varginha para criticar a contratação de Bruno. Muitos deles, inclusive, pediram aos patrocinadores que deixassem a equipe. Nas ruas da cidade, alguns apoiam a contratação, mas a maioria teme pelo futuro do time.

Bruno deixou a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), em Santa Luzia, Minas Gerais, no fim de fevereiro. A liberação foi determinada pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão liminar. Bruno aguarda julgamento de recurso após a condenação.

O jogador foi condenado em 2013 pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza e também pelo sequestro e cárcere privado do filho Bruninho. Segundo a decisão do ministro Marco Aurélio, o goleiro poderá ficar em liberdade enquanto o recurso contra a condenação não é julgado.

ge

15/03/2017

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