Polícia Federal indicia presidente da Federação Alagoana de Triathlon

Adriana Mangabeira Wanderley coleciona crimes que vão de lavagem de dinheiro a corrupção ativa

Quando se busca o nome “Adriana Mangabeira Wanderley” na internet não é difícil de encontrar matérias que enaltecem a advogada contando sua vida de vitória e dedicação ao esporte. Hoje, a advogada posa como presidente da Federação Alagoana de Triathlon (Faltri) em meio a escândalos, mentiras e um ciclo de intrigas. Mas, quem procura com mais atenção sobre Adriana chega até uma lista de infrações que teriam sido cometidas pela “atleta”. A advogada coleciona crimes como formação de quadrilha, estelionato, lavagem de dinheiro com direito a perseguição da Polícia Federal. São 37 processos que tem o nome de Adriana Mangabeira Wanderleyenvolvido.
Segundo o Portal A Notícia, em 2011, uma operação nomeada de Black Ops realizada em 14 Estados e no Distrito Federal combateu uma organização criminosa suspeita de explorar máquinas caça-níqueis e contrabandear carros de luxo usados. À época, foram apreendidos veículos como Porsche, Mustang, BMW, Lamborghini, Camaro, Hummer, entre outros.  A organização criminosa aplicou golpes no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Amapá, Paraná, Pernambuco, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Sergipe e, é claro, Alagoas.
ABSURDO
Alagoanos entram na Justiça contra Adriana Mangabeira Wanderley.
De acordo com o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Valmir Lemos de Oliveira, as investigações contaram com apoio de agências de inteligência de Israel, da Inglaterra e dos Estados Unidos. A desconfiança de que algo estava errado com a empresa de AMW Comércio Importação e Exportação LTDA, na qual Adriana Mangabeira Wanderley era sócia, começou em 2009 depois que a polícia identificou possíveis irregularidades nas atividades do israelense preso, apontado como responsável pelo esquema.
“Passamos a observar a movimentação dele e as investigações apontaram que ele mantinha ligações com grupos internacionais. O esquema basicamente consistia na importação de veículos, o que não é ilegal, mas deve ocorrer em casos excepcionais. Percebemos que esses veículos não atendiam às hipóteses legais para que pudessem ingressar no território nacional e aqui trafegar de forma normal”, explicou.
A legislação brasileira permite a importação de veículos usados entre colecionadores, em casos de herança aberta no exterior, quando são trazidos por missões diplomáticas ou quando os veículos são antigos, com mais de 30 anos de fabricação. Ainda segundo a polícia, a importação dos automóveis realizada pela empresa de Adriana Mangabeira Wanderley era custeada com parte do di­nheiro adquirido com a exploração de máquinas caça-níqueis.
GOLPE
Empresa vendia carros importados usados como novos.
Quem negociou com Adriana Wanderley ganhou “visitinha” de agentes da PF.
Além de vender carros importados (usados se passando por novos) com um preço especial, quem adquiriu o automóvel ganhou uma visita grátis de policiais federais na residência. Assim como aconteceu em outros estados, Alagoas também teve suas vítimas. Conforme os autos de um dos processos contra Adriana Mangabeira Wanderley, “Fernando Henrique Silva e Moura e Rubens Villar de Carvalho Filho afirmaram na inicial, em síntese, que adquiriram dois veículos Audi por meio da empresa AMW Comércio Importação e Exportação LTDA que cuidou da importação totalizando o valor de R$ 400 mil”.
Acontece que os autores receberam em sua residência, na manhã do dia 7 de outubro de 2011, a “visita” de integrantes de quatro agentes da Polícia Federal e dois auditores da Receita Federal. “Na ocasião os referidos agentes informaram que o objetivo era o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Segundo a Polícia Federal, a referida organização criminosa que incluía israelenses, era suspeita de praticar crimes de ordem tributária, além de lavagem de dinheiro”, informa o processo.
Os demandantes afirmaram ainda que a responsável pela empresa AMW, Adriana Mangabeira Wanderley, também ré da presente ação, garantiu a total segurança na importação dos citados veículos. Conforme Adriana Mangabeira Wanderley, os veículos seriam importados sem que houvesse nenhum risco aos autores, uma vez que todo o procedimento aduaneiro era realizado com total observância a legislação pátria. A pena para o crime que envolve a acusada é de 1 a 4 anos de reclusão. Também há suspeita de sonegação fiscal nas operações co­mer­ciais de várias importadoras e reven­dedoras investigada.
ROTA SEM FROTAS
Empresas envolvidas na fraude fizeram a importação de mais de cem veículos.
Investigações apontam que, entre 2009 e 2011, as empresas envolvidas na fraude fizeram, pelo menos, a importação de mais de cem veículos. Mas suspeita-se que esse número seja ainda maior, podendo chegar a mais de 500 veículos importados no período, inclusive com a participação de outras importadoras.
Até o cantor Latino teve um de seus carros importados confiscado, um Porsche Panamera no valor de R$ 340 mil. O advogado do cantor, Bruno Pinho Gomes, alegou que o artista comprou o veículo, modelo 2010, 0 km, e que o carro foi entregue à Polícia Federal sem intimação. “Latino repudia qualquer insinuação sobre seu envolvimento ou participação em negócios de importação e comercialização de veículos. Restará comprovado que fora apenas cliente, como tantos outros, que de boa-fé adquiriram veículos em uma loja bem estabelecida em local nobre da cidade do Rio de Janeiro”, disse o advogado na época.
Além de Latino, também tiveram veículos apreendidos os jogadores de futebol Kléberson, do Atlético-PR, Emerson, o Sheik, do Corinthians, o cantor Belo, e Diguinho, do Fluminense.
FESTA DO CRIME
Negociações foram feitas com infratores famosos
As celebridades tiveram problemas com a imprensa e a justiça após as negociações. “Sou um atleta e não um maloquei­ro. Sou um trabalhador. Foi tudo esclarecido”, disse o jogador Emerson Sheik.
Não é a primeira vez que Emerson Sheik tem problemas com a Polícia Fe­de­ral. No dia 20 de janeiro de 2006, Sheik foi pre­so por agentes da Polícia Federal no Ae­roporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, quan­do tentava embarcar para os Emi­ra­dos Árabes com documentos falsos. Entre os envolvidos na operação, o cantor Belo tem o maior histórico de problemas com a jus­tiça.
BARRACO
Adriana Mangabeira arma contra juiz de Alagoas
Em 2013, a advogada Adriana Man­gabeira Wanderley deu entrada no Con­selho Nacional de Justiça (CNJ), em Bra­sília, em uma representação contra o juiz Rodolfo Osório Gatto Hermann, da 6ª Vara Criminal da Capital. Ela se diz perseguida pelo ma­gistrado por ele ter a ameaçado, em uma festa, aparentemente, sem motivo.
O juiz Rodolfo Osório Gatto Hermann, como consta nos autos, teria falado em alto e bom som, em uma festa para advogados que “anda louco para mandar o ‘o camburão'[…]” buscá-la”. Rapidamente, a informação chegou ao conhecimento de Adriana Mangabeira Wanderley. “Ele disse que a essa mulher de ferro, ele vai por uma algema de ferro, e que um carro de ferro [ca­mburão], vai colocá-la numa cela com grades de ferro”, reforçou a advogada.
Adriana Mangabeira Wanderley e Osório Gatto, segundo processo, se degladiaram em uma das ações que tramita no Tribunal de Justiça do Estado. Porém, a advogada deu entrada, primeiramente, em uma ação na Corregedoria Geral de Justiça, que acabou arquivando a representação, pois segundo a apreciação do órgão censor, a postura do juiz não infringiu ne­nhuma das vedações legais impostas aos magistrados. A reportagem do A Notícia entrou em contato com Adriana pelo telefone de final 2222, mas não foi atendida.

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