Ex-gerente da Petrobras preso em Boa Vista é transferido em voo comercial

Preso na 39º fase da Lava Jato, Gonçalves embarcou com destino ao Paraná nesta quarta-feira (29), diz PF.

O ex-gerente da Petrobrás Roberto Gonçalves, preso durante a 39º fase da operação Lava Jato, foi transferido de Boa Vista nesta quarta-feira (29). Conforme a PF, Gonçalves embarcou para Curitiba em um voo comercial com escalas em Manaus e Campinas.

O ex-executivo chegou ao Aeroporto Internacional de Boa Vista acompanhado de agentes da Polícia Federal no final da manhã, e seguiu direto para a sala da PF. Por volta das 14h17 – 15h17 de Brasília, o avião comercial em que ele estava decolou.

Roberto Gonçalves foi detido em Boa Vista na terça-feira (28) pela manhã e estava preso na sede da Superintendência da PF.

Segundo a Polícia Federal, o mandado de prisão preventiva de Roberto Gonçalves era para o Rio, mas ele foi preso na capital, onde, segundo o advogado de defesa, visitava parentes.

O ex-gerente sucedeu Pedro Barusco – condenado na operação por lavagem de dinheiro, associação criminosa e corrupção – como gerente-executivo da área de Engenharia e Serviços da Petrobras, onde atuou no período de março de 2011 a maio de 2012.

“Na sucessão do cargo também se passou o bastão da propina”, afirmou o procurador Roberson Pozzobon.

Segundo a investigação, Gonçalves usava offshores na China e nas Bahamas para dissipar valores de propina recebidas.

Gonçalves já vinha sendo investigado pela força-tarefa da Lava Jato a partir de apurações internas na Petrobras e também por depoimentos prestador por delatores. Em novembro de 2015, ele havia sido preso temporariamente na Lava Jato. Na época, segundo Pozzobon, Gonçalves negou ter contas no exterior.

Dessa vez, a investigação recebeu documentos das autoridades suíças que, segundo o Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, apontam que Gonçalves teria contas no país para ocultar o recebimento de propina. Com essas provas, foi solicitada a prisão preventiva do ex-gerente da Petrobras. Diferentemente da prisão temporária, na prisão preventiva, não há prazo para liberação do suspeito.

Ricardo Pessoa, dirigente da UTC, e Mario Goes, operador financeiro do esquema, disseram nas delações premiadas que pagaram propina para Gonçalves. Segundo o MPF, eles apresentaram documentos de quatro depósitos de US$ 300 mil feitos no exterior, a partir de uma conta em nome da offshore Mayana Trading, mantida por Goes.

Nesta nova fase da Lava Jato também foram usadas informações das delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht e de Pedro Barusco.

De acordo com o despacho do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, Rogério Santos de Araújo – delator da Odebrecht – disse que Roberto Gonçalves repassava à Odebrecht informações sigilosas em outros contratos da Petrobras. Nesta decisão, Sérgio Moro autorizou a deflagração da 39ª etapa da operação.

Rogério Araújo é um dos 77 delatores ligados à empresa Odebrecht. Ele narrou à força-tarefa que que foi acertado o pagamento de R$ 5 milhões da empreiteira para Roberto Gonçalves como propina para um contrato no âmbito do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Além de Roberto Gonçalves, o MPF informou que pessoas físicas e jurídicas ligadas à corretora de valores Advalor Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. também são alvos da operação. Segundo o MPF, Goes, Barusco e o ex-gerente da área internacional da Petrobras Eduardo Musa afirmaram que usaram serviços da Advalor para receber propinas de contratos da estatal.

g1

29/03/2017

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