Donald Trump detém o mais baixo índice de aprovação entre os presidentes americanos em início de governo.

Suas palavras e ações aumentaram os riscos para os EUA e a economia global

Nenhum presidente dos Estados Unidos se tornou tão impopular, em pouco tempo de mandato, como Donald Trump. Na dia 20 de março, ao completar dois meses na Casa Branca, o republicano recebeu um péssimo indicador na pesquisa de opinião pública da Gallup. A aprovação de Trump caiu de 45%, no dia em que substituiu o democrata Barack Obama, para 37%. É a mais baixa popularidade de um recém-eleito (veja quadro ao final da reportagem). Entre 1938 e 2017, a média foi de 53%. A verdade é que o 45º presidente dos EUA não tem se esforçado para conquistar a maioria. Ao contrário, continua protagonizando polêmicas.

Na terça-feira 28, por exemplo, o republicano assinou um decreto para revogar as políticas climáticas adotadas por Obama. Entre elas, o Plano de Energia Limpa, que exigia que os EUA eliminassem emissões de carbono das usinas de energia, acordo firmado por 200 países em 2015. Por incrível que pareça, Trump favoreceu a queima de carvão, que causa aquecimento global. “Estamos acabando com o roubo da prosperidade americana e revivendo nossa amada economia”, bradou, enquanto justificava sua assinatura nas promessas feitas aos mineiros americanos durante a campanha presidencial.

De anti-Hillary Clinton, sua adversária no pleito, ele passou a atuar como anti-Obama. “Em 2009, Obama manteve um discurso de fortalecer as leis e assegurar que as decisões do governo fossem fortes o suficiente para mantê-lo em funcionamento”, diz Adriana Meyer, economista responsável pelos EUA e Canadá da multinacional francesa Coface, seguradora especializada em riscos globais. “Trump, ao contrário, iniciou o governo tentando desfazer o legado do antigo presidente.” Logo nos primeiros dias de governo, o republicano tentou demolir algumas marcas do antecessor.

DIN1012-trump4Nesse curto período, ele ordenou uma flexibilização do programa de saúde Obamacare; retirou os EUA do que viria a ser o maior acordo comercial do mundo, a Parceria Transpacífico, que contava com a participação de 40% do PIB global; sinalizou uma renegociação com o Canadá e o México sobre o Acordo de Livre Comércio da América do Norte; aprovou a construção de um oleoduto criticado por ambientalistas; e sugeriu, também, a criação de um imposto de 20% sobre os produtos de origem mexicana para financiar a construção de um muro na fronteira entre os países, por US$ 15 bilhões.

Embora tenha sofrido uma dura derrota na questão da saúde, apesar de ter maioria parlamentar, Trump mostrou que é mais do que uma ameaça verbal ambulante. E segue assustando o mundo. “A retórica protecionista tem aumentado e os mercados começaram a precificar com medo de uma guerra comercial com grandes parceiros comerciais, como a China”, diz a economista Monica de Bolle, do Peterson Institute for International Economics. “Os dois primeiros meses de governo trouxeram muita incerteza até agora, aumentando os riscos para os EUA e a economia global.”

No Estado de Nevada, Trump perdeu para a democrata Hillary Clinton nas eleições, por 47,9% contra 45,5% do republicano. Nas ruas de Las Vegas, as pessoas desconversam quando são indagadas sobre as impressões do início de governo do novo presidente. A reportagem tentou conversar com os funcionários do Trump International Hotel Las Vegas, localizado numa das principais avenidas da cidade. Da faxineira aos recepcionistas, todos se calaram quando o assunto era o presidente. A resposta padrão é que o movimento do hotel, cuja tarifa mais barata é de US$ 135 por noite, continua bom.

Nas ruas, os que aceitam falar criticam a falta de credibilidade de Trump. “Não gosto dele por ele ser racista, governar apenas para os ricos e, principalmente, por ser misógino”, diz Sue Bruno, de 67 anos, que estava a passeio na cidade dos cassinos. Moradora de Chicago, a aposentada afirmou que nunca havia presenciado uma eleição tão difícil quanto a última. “Votei em Hillary Clinton e está sendo duro ver Trump destruir parte do legado do Obama”, diz ela. “Mas não acredito que ele terminará seu mandato. Os americanos não gostam dele, pois não governa para todos.”

isto é

02/04/2017

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