Bate-boca entre Doria e manifestante marca evento de entrega de apartamentos em SP

Manifestante argumentou que obra do Minha Casa Minha Vida é de responsabilidade do governo Dilma; Doria disse que ele estava estragando a festa.

Um bate-boca entre um manifestante e o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) tomou conta do evento de entrega de apartamentos populares, no Grajaú, Zona Sul de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (29). Os apartamentos são resultado de uma parceria do programa federal Minha Casa Minha Vida, do governo do estado, por meio da Casa Paulista, e da Prefeitura de São Paulo.

O manifestante começou a citar o nome da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) enquanto Doria falava sobre a importância das mulheres. Após cinco mulheres serem chamadas ao palco do evento para receber as chaves das unidades, Doria afirmou que isso era um símbolo da força das mulheres e de que os imóveis seriam preservados e não vendidos.

O jovem, que afirmou chamar-se Rafael e ser morador da região, começou então a falar o nome de Dilma em voz alta e disse que a inauguração estava sendo feita em um evento sem os responsáveis por tocar o empreendimento. Ele também repetia a palavra “golpistas” em referência às autoridades presentes. “A obra quem fez, quem providenciou foi a Dilma. Eu só falei isso”, disse Rafael ao G1 depois do bate-boca.

Doria respondeu à manifestação do jovem afirmando que ele estava estragando a festa das famílias e que ele deveria procurar a turma dele em Curitiba (sede das investigações da Operação Lava Jato). “Vai embora procurar a sua turma lá em Curitiba. O povo sabe quem é honesto e quem é decente”, disse.

Boa parte do público presente, formado por famílias que receberiam as unidades, gritou o nome de Doria. Alguns apoiaram o rapaz e ficaram do lado dele para evitar que ele fosse retirado do evento.

Rafael afirmou que a realização da cerimônia não foi divulgada para toda a comunidade da região e que o público era formado por “apoiadores do Doria”. Usando um capacete de ciclista, o jovem também citou o ex-prefeito Fernando Haddad dizendo que o petista teve papel chave no andamento da obra ao negociar com ocupantes do terreno.

Ao final do evento, Doria disse aos jornalistas que a manifestação do jovem foi extemporânea. “Vir aqui falar de golpe. Que golpe? Golpe deu o Lula no Brasil. Isso sim”, disse o prefeito.

Segundo informações do site da prefeitura de São Paulo, a obra começou em 2010, durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. O empreendimento foi construído pelo programa Minha Casa Minha Vida. Nesta quarta, seriam entregues na cerimônia realizada no conjunto 192 chaves de unidades. Também seria anunciado o cronograma de entrega das 996 restantes, do total de 1.188 apartamentos.

O investimento total na construção foi de R$ 118,3 milhões, sendo R$ 28 milhões do estado e R$ 90,3 milhões da União. As informações são da Secretaria da Habitação do estado. Em 2014, a Prefeitura de SP informou que aportava R$ 4 mil por unidade habitacional.

O ministro das Cidades Bruno Araújo, que como deputado federal deu o voto que definiu o impeachment de Dilma em 2015, na Câmara dos Deputados, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também participaram do evento.

g1

29/03/2017

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